Foi a apresentada esta segunda-feira a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, dedicada aos desafios da Inteligência Artificial e das novas tecnologias. No documento, o Santo Padre alerta para a necessidade de colocar sempre a pessoa humana no centro do progresso tecnológico.
O Papa reconhece que a tecnologia pode trazer muitos benefícios. Pode ajudar a curar, ensinar, aproximar pessoas e cuidar melhor do mundo. Mas também avisa que, se for usada sem responsabilidade, pode aumentar desigualdades, excluir os mais frágeis e tornar a sociedade menos humana.
Leão XIV usa duas imagens da Bíblia para explicar esta escolha. Por um lado, fala da torre de Babel, símbolo de orgulho, poder e divisão. Por outro, recorda Neemias e a reconstrução das muralhas de Jerusalém, imagem de trabalho conjunto, escuta e responsabilidade partilhada. Para o Papa, a grande questão não é ser contra ou a favor da tecnologia. A verdadeira pergunta é: que tipo de mundo queremos construir com ela?
Na encíclica, Leão XIV pede regras claras para orientar o uso da Inteligência Artificial, mas lembra que as leis não chegam. É também necessário perguntar quem controla estas tecnologias, com que intenções as usa e que consequências têm na vida das pessoas.
O Santo Padre deixa um apelo forte: é preciso “permanecer profundamente humanos”. Nenhuma máquina pode substituir a dignidade, a beleza e o valor de cada pessoa.
A encíclica termina com um convite aos cristãos e a todas as pessoas de boa vontade: construir um futuro mais justo, fraterno e humano, onde a tecnologia esteja ao serviço da vida e não o contrário.