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Patriarca de Lisboa denuncia falência das estratégias humanas para a paz
Na homilia do Dia Mundial da Paz, D. Rui Valério criticou as lógicas de poder e apelou a uma paz encarnada em gestos concretos, inspirada na Encarnação de Cristo
Por João Naia
Publicado em 01/01/2026 17:33
Diocese
Foto - Diogo Paiva Brandão, Patriarcado de Lisboa

O Patriarca de Lisboa presidiu hoje à Missa do primeiro dia do ano, na igreja dos Pastorinhos, em Alverca.

Na homilia do dia 1 de Janeiro, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, afirmou que a paz é um dom que nasce do rosto de Deus e não do cálculo político ou da força humana. Inspirado na bênção do Livro dos Números, sublinhou que a verdadeira paz brota quando Deus entra na história, como aconteceu na Encarnação de Cristo no seio de Maria.

Criticando décadas de abordagens baseadas apenas em estratégias de poder, tratados e equilíbrios de forças, o Patriarca declarou que essa visão está esgotada e que a humanidade chegou a um “beco sem saída”. Defendeu a necessidade de uma perspetiva teológica sobre a guerra, afirmando que a paz não é uma opção diplomática, mas uma urgência de Deus, perante o clamor do sangue dos inocentes.

A partir da narrativa evangélica dos pastores, D. Rui Valério destacou a importância de transformar a Palavra em ação concreta, afirmando que a paz só é verdadeira quando se torna gesto, compromisso e encontro real. Denunciou ainda a responsabilidade dos “senhores da guerra” e alertou para a hesitação perante o mal, que acaba por tornar cúmplices aqueles que se dizem civilizados.

O Patriarca sublinhou que a Encarnação conferiu a cada ser humano uma dignidade inviolável, lembrando que matar um homem é tentar matar o próprio Cristo que nele habita. Por fim, apontou Maria como modelo e caminho da paz, afirmando que construir a paz é “gerar Cristo” no mundo, nas relações e nas decisões pessoais e coletivas.

Confiando à intercessão de Maria os povos feridos pela guerra, D. Rui Valério concluiu que a paz começa no interior de cada pessoa e só pode nascer da verdade, da caridade e da justiça, para que um dia o ruído das armas dê lugar ao cântico da paz anunciado pelos anjos em Belém.

 

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